Vamos ser práticos.

Maltinha da boa, vamos lá aplicar isto à vida do quotidiano.

Quantas pessoas já foram rejeitadas numa entrevista de emprego pelo seu aspecto físico? (eu estou com a mãozinha no ar, sou aquela aluna da primeira fila que está ansiosa para que lhe deêm voz)

Corria o ano de 2008,2009,2010 e todos os anos desde que fiz 18 anos e queria muito um part-time numa loja-de-roupa-para-ter-mais-dinheiro-para-comprar-mais-roupa-nessas-lojas-onde-a-roupa-não-me-serve, e eis que ouço que não podia ser, ninguém me podia contratar, aliás eu fui chamada para entrevistas e pediam sempre fotos, às vezes de corpo inteiro! Como?? Pensei eu, sou tão espontânea e conversadora e tudo-em-bom ao cubo, porquê senhores? “Não enquadra nos nossos padrões e portanto não ficou seleccionada”

O que é que eu pensei perguntam vocês: “será que o facto de ter o 12º ano, planos para a faculdade, ser gira, inteligente, cumpridora, responsável (q.b não somos muito responsáveis com 18 anos mas achamos que sim) não é suficiente? O que é que esta malta que dobra roupa, coloca cabides no sítio e arruma o armazém durante 4/6 ou 8 horas sabe a mais que eu ou consegue fazer que eu não consigo? e KABOOOOM, bomba de verdade nesta cabeça, querida Joana, a verdade é que tens coisas a mais, neste caso banhas a mais :O

Grave, gravissímo, processar esta informação num cérebro de um adolescente e acreditem, não estamos a falar de um nível de obesidade a roçar o mórbido, que mesmo que o fosse continua a não ser motivo, tenho inumeros relatos de amigas, que pesam mais 5kl do que aquilo que os outros acham que elas deviam pesar e também elas não eram seleccionadas, tenho relatos de pessoas a quem não renovaram o contrato porque e cito “elas se desleixaram”.

Vamos lá pôr uma vírgula nesta merda, todos sabemos que a imagem vende, mas voltado ao ponto inicial deste manifesto, que imagem é que vende? Que somos todos iguais? É que aponto já aqui lojas onde entramos e o staff é TODO IGUAL! Parece o Lux às sextas-feiras.

Há uns anos estive em Barcelona, fiquei louca porque entrei numa H&M e havia uma mulher que não só era gorda como estava tatuada na caixa!!! Sim, amigos, os gordos com tatuagens também conseguem fazer caixa!!! :O Eu sei, o choque, o horror, até fico com arrepios.

Estamos, ligeiramente melhores, embora seja sempre com surpresa que ouço alguém a comentar isto: Tu já viste que esta pessoa a atender tem tatuagens/pesa 95kg/tem argolas/é preta/tem o cabelo rapado e um piercing em cada olho?

Vá todos nós sabemos que a malta com 1,65m e 58kg têm mad skills no que toca a facturas com número de contribuinte.

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Edita só este bocadinho aqui

Este blogue não nasceu para ser amado por todos logo à primeira pessoal, por isso hoje vamos falar de cirurgia plástica. Relaxem que não estamos a atirar calhaus a ninguém.

Vamos falar de cirurgia plástica em JOVENS, influencers/youtubers/#somostodosdointa por este Portugal com os seus 20,22, e na loucura 25 anos que andam a mudar o corpo.

Esta tendência tem tido um fluxo crescente na camada mais jovem em Portugal nos últimos 5 anos, democratizou-se o uso do botox e etc nas pessoas mais velhas e eu sou pela equipa de “cada um faz o que quer” QUANDO houver maturidade mental para isso.

Não me digam que uma rapariga ou rapaz acabados de sair da adolescência consegue avaliar e perceber o peso de uma cirurgia correctiva no seu próprio corpo.

Questões de saúde? Toda a favor, tratem-se. Questões de identidade de género? Amigas sigam todas em fila até ao consultório que eu guardo um lugar se alguém precisar.

Agora, diminuição das gordura nas ancas, aumentos de lábios, rinoplastias e etc.Não consigo perceber esta indústria nesta idade, mais tarde, querem ser a Kim Kardashian? Embora não perceba porquê, aceito a liberdade de cada um, tiveram tempo suficiente num corpo formado para perceber que realmente não conseguem viver com ele. Isto é um problema, na minha humilde e gorda opinião, de saúde pública. A obsessão com o corpo nestes casos toma proporções para lá do saudável.

Já ninguém encolhe a barriga nas fotos? Ou vira a cara para ficar “com o lado bom”? Estamos tão além da era photoshop em tudo que até achamos plausível alterar o corpo de uma pessoa que não tem as funções cognitivas todas a funcionar em pleno?

Aceitamos que não devem escolher a profissão deles no 12º ano porque é demasiado cedo e pressionar demasiado as “crianças” que vão ingressar naquilo que será o seu futuro profissional mas não é demasiado cedo para uma possível disformia corporal?

É mais aceitável querer ser “mais bonita(o)”?

H&M e um caso de amor perdido

Malta das costuras, bear with me for a bit.

O que é que se passa com a secção jovem?!

A H&M sempre se safou “melhor” que as outras lojas de fast-fashion dado que na questão dos tamanhos, têm um bocadinho mais de hipóteses, se não estou em erro começam ali no 32 e vai até ao 46 na secção dos “normais”.

Depois ÓI, ÓI PAROU! Desculpem malta que veste acima do 46 ou pessoas que vestem menos que o 32, vocês já foram chutados para canto com a label de +++ ou PLUS SIZE ou whatever de merdas que eles inventam para estereotipar as pessoas mais pesadas, e os mais magros, caput malta, vocês são tão magros que nós nem nos damos ao trabalho.

Vistam-se na secção de crianças que nós só vestimos os outros.

HOWEVER, eis senão que apercebo-me que na secção “mais street, somos mega alternativos” os números acabam no 42.

COMÁSSIM QUERIDOS? Os adolescentes, as pessoas mais jovens, os mais velhos que querem roupa mais desportivas, um crop top, uma merda de uma camisa de xadrez têm um limite para o que podem vestir? Uma miúda gorda com 15 anos não podem vestir acima do 42? Uma miúda com 18 anos não pode ter menos de 50 kg?

Tão bom não é? Seres adolescente, muito provável e infelizmente teres algum tipo de complexo com a tua imagem e fazeres compras com amigas numa loja em que tu não podes vestir o mesmo que as outras (temos uma idade em que parecemos todos iguais, não me lixem).

O teu remédio é pegares no teu rabo gordo, no caso de quem pesa mais “do que é aceitável pelos gestores de colecção” e dirigires a tua atenção às cortinas pretas com rendas do tempo da avó Maria ou às colecções SHAPE (nem me façam falar desta merda que até fervo, calças justas até à peida para o teu corpo “parecer melhor”, esquecem-se de dizer que tens uma ligeira apneia porque não respiras, mas pelo menos és curvilinea como a beyoncé).

Portanto queridas adolescentes ponham na vossa cabeça que esta merda não é normal, não é aceitável.

Não é aceitável terem colecções separadas das ditas normais para os mais gordos, não é aceitável pessoas muito magras terem de ir comprar uma puta de uma t-shirt dos unicórnios à secção dos 12 anos.

As pessoas merecem ter o mesmo tipo de materiais, o mesmo tipo de corte e o mesmo tipo de escolha, sejam qual for o peso que têm.

As zaras, bershkas e outras aberrações ficam para outro dia que o meu ódio pela indústria da moda tem pano para mangas.

Isto de ser gordo – O Manifesto –

Ora portanto, isto vem aí tema controverso.

Vivo em Portugal portanto SÓ agora se fala disto e não muito, aos bocadinhos vá, dado que a cultura da gordura e da objetificação do corpo é milenar e se cresceram como eu numa família típica portuguesa, queriam-nos gordos e “saudáveis” para depois, quando deixamos de ser tão crianças nos cadastrarem e obrigarem a abdicar de anos de má aprendizagem com hábitos poucos saudáveis. (relaxem, não justifico a minha gordura com isto, até porque tchan tchan tchannnn não tenho que a justificar, o choque, eu sei!)

A verdade é que crescemos, a maior parte de nós, a achar que é normal haver comentários acerca do nosso corpo, é normal ser a primeira coisa que alguém repara quando não nos vê há algum tempo e ainda mais normal falar sobre isso, comentar, dizer que estás mais magra/o ou gorda/o, fazer o típico comentário de: ” o que é que te aconteceu?” e que faz muitos de nós temer o verão e encontrar as vizinhas do local onde vamos à praia, ano após ano. E a verdade é que nós mesmos, falo de pessoas gordas e magras (atenção desmistificação total da palavra GORDA, não é um insulto, é uma constatação, é díficil eu sei, mas façam as pazes com a palavra depois de as fazerem com vocês mesmos, fica muito mais fácil encarar a febre doença do comentário corporal.) acabamos por inconscientemente entrar nesta carneirada, nós mesmos vemos uma pessoa que conhecemos e está mais pesada e fazemos a mesma merda de pergunta!!! Como se na verdade houvesse um inconsciente que diz, “vês afinal a não sei quantas também engordou portanto não estás assim tão mal.”

Como se o teu valor e a única coisa que importasse fosse, o que é que aconteceu ao teu corpo.

Não me façam sequer falar dos clichés ridículos, como os gordos estão sempre felizes, como se as pessoas que são gordas, são tão felizes por comer tudo!

(o que quando mete distúrbios hormonais nem é o caso, mas AS.PESSOAS.NÃO.PRECISAM.DE.SE.JUSTIFICAR) E que não têm nenhum problema ou preocupação, que não são infelizes ou que até têm que suportar esta carga emocional do gordo feliz que tem sempre que estar bem disposto, porque se não é porque está na hora de fazer dieta.

O cliché do sexo, que as pessoas gordas esforçam-se imenso na cama porque não sabem quando irão dar uma próxima boa foda. Não consigo comentar isto sem bolsar na minha própria boca.

O cliché da rapariga que é linda MAS é gorda, sim é o meu caso, eu considero-me linda! Não é excesso de confiança, é uma constatação, e a isso me agarrei durante anos para me justificar a mim mesma, depois de ouvir ANOS desta merda, inúmeros namorados e potenciais namorados com esta conversa. “Se fosse magra paravas o trânsito” “se emagrecesses ias ser espectacular”. Ainda hoje ouço, numa tentativa de flirt “não tenho nada aquele ideal de corpo perfeito por isso não te preocupes”. E quem já se encontra fragilizado pela pressão da sociedade do que é aceitável e bonito, ouve isto e está 3 semanas sem comer.

O cliché de acharmos, enquanto sociedade que quem é magro adora o seu corpo. NEWS FLASH, é mentira malta, alimentaram-nos com isto durante anos (piada de gordos) mas é uma total e gigante mentira.

O cliché de todas as pessoas que já foram gordas e depois de magras evangelizam todos os gordos que conhecem e se tornam influencers para “a causa”. Poupem-me, feliz pelas vossas vitórias mas deixem o meu corpo em paz.

Temos.que.parar.

Temos mesmo, principalmente pela forma como isto condiciona o nosso amor próprio, falo por mim que agora, recentemente é que comecei a usar camisolas para dentro das calças e borrifar-me no assunto, agora é que comecei todo um processo de amor próprio que passa por honrar o meu corpo, o corpo que carregou a minha filha 9 meses, o corpo que me sustenta e que trabalha todos os dias para eu viver.

Temos que parar por todas as pessoas que desenvolvem distúrbios alimentares por causa esta merda, falamos muito de revistas, falamos muito de televisão. Então e nós? Onde é que está a puta da responsabilidade social sobre este assunto? Onde é que termina o respeito pelo o outro?

Sejam gordos ou magros, por favor só não sejam burros.

Mas afinal onde é que é a marcha?

Relaxem o pipi amigos!

Este manifesto está a chegar. Estamos aqui para mostrar o outro lado deste flagelo que é o respeito por si próprio que faz até as pessoas mais estranhas terem o direito a serem deixadas em paz.

E também para vos chocar com intel inacreditável sobre o facto de a nossa liberdade ser afectada por esta sociedade patriarcal e opressiva. Dropping bombs mothafuckers!

Revolucionário, eu sei.